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18 dez, 2018

[Resenha] Boa Noite – Pam Gonçalves

A leitura é algo que me proporciona muito aprendizado, por isso gosto tanto de pratica-la, este ano li poucos livros nacionais e gostaria de ter feito mais isso, por esse motivo resolvi ler um e-book nacional, e escolhi uma autora que como escritora começou abordando assuntos muito bons, Pam Gonçalves é uma das inspirações que me levaram a criar meu próprio blog, adoro ver seus vídeos, não cheguei a conhecer seu blog mais sei que deveria ser tão bom quanto, adorei sua escrita e a força que a leitura nos proporciona como mulheres, espero muito que gostem da resenha!

Sinopse:Alina quer deixar seu passado para trás. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que tudo isso seja ruim, mas também não faz dela a mais popular da escola. Agora, na universidade, ela quer finalmente ser legal, pertencer, começar de novo. O curso de Engenharia da Computação – em uma turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números -, a vida em uma república e novos amigos parecem oferecer tudo que Alina quer. Ela só não contava que os desafios estariam muito além da sua vida social. Quando Alina decide deixar de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás, tudo se complica. Além de festas, bebida e azaração, uma página de fofocas é criada na internet, e mensagens sobre abusos e drogas começam a pipocar. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, parece que o que ela mais quer é voltar para casa.

“Boa Noite” é um livro sobre autopreservação, sobre lutas diárias, uma história de superação no universo feminino que aborda diversas questões importantes, como o abuso sexual, o preconceito, crimes cometidos contra a mulher e a luta que nós travamos todos os dias contra tudo isso.
Conhecemos “Alina” nossa protagonista e desde do inicio como leitora já tenho uma sensação muito forte a respeito dessa jovem, ela está embarcando em uma nova fase de sua vida, irá iniciar a faculdade e terá que se mudar, no local onde irá viver nos próximos meses ela conhece seus novos colegas.
“Manu” é uma jovem muito extrovertida, diferente, faladeira e com um enorme coração ela irá recepcionar Alina na república, lá moram também o casal “Talita e Bernado” ele são muito apaixonados e muito unidos, uma paixão ardente habita entre os dois. Por fim ela é apresentada ao dono da república e morador “Gustavo” é jovem, bonito e estuda medicina, logo de cara percebe-se um mistério muito atraente no rapaz.
Quando começaram a aulas Alina já imaginou o que estava por vir, ela escolheu fazer engenharia da computação um curso que em sua maioria era realizado por homens, na sala de aula a jovem se uniu as poucas mulheres da turma e logo de cara sentiu os olhares e ouviu os cochichos preconceituosos, o que ela não imaginava é o quanto aquele machismo ficaria agressivo com o passar dos dias.
“Alina” ainda não tinha ideia do quanto as coisas na faculdade iriam ficar complicadas, mais já estava vivendo um pouco dos problemas locais, no inicio foi a algumas festas e lá conheceu pessoas que aos poucos descobriu não ser bem o que ela pensava, em uma luta constante com seu grupo de estudo a novata traça um caminho para enfrentar diversas questões durante o ano letivo e graças a um projeto que desenvolveram elas conseguem combater essas questões,  em sua maioria crimes cometidos contra as estudantes do campus.
“Pela primeira vez em muito tempo desejo ser a Alina do passado de novo. Tentar ser diferente não está sendo uma boa experiência” Pág. 153
 
 
O livro traz uma abordagem muito atual contra o abuso sexual, o preconceito, o bullyng  e a impunidade, a autora mostra a luta de jovens estudantes contra todas estas questões e enfatiza a importância do respeito, da amizade, do companheirismo e do amor entre as pessoas.
“Várias garotas sofrem abuso sexual todos os dias na nossa universidade, na nossa cidade, no nosso estado, no país, no mundo inteiro. E a maioria não denuncia e não pede ajuda.[…] Sabem por quê? Porque a maioria vai ser culpada por vocês. Por nós. Porque, para a nossa sociedade, é normal assediar. Porque se ela não quisesse, não sairia de roupa curta. Porque, se ela não quisesse, não andaria sozinha. Porque, se ela não quisesse, não estaria bebendo. Porque, se ela não quisesse, não estaria VIVENDO.” Pág. 212
Com uma escrita envolvente Pam Gonçalves nos transporta para o mundo de Alina e nos faz refletir sobre situações tão reais vividas pela personagem, a leitura nos mostra a importância de não nos deixarmos calar diante de alguma injustiça cometida contra as mulheres ou qualquer outra pessoa, de forma sutil também através da leitura é possível perceber as formas de racismo tão presentes ainda nos dias em que vivemos. Através da história de Alina é passado uma mensagem de que acima de tudo somos todos iguais.
Foi um imenso prazer ter a oportunidade de ler está obra e espero que vocês tenham gostado da resenha, um grande beijo e até a próxima!
Conheça o  novo conto da autora, disponível em: Bom Ano
Jovem Adulto • Editora Galera • 240 Páginas • Classificação: 5/5
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23 maio, 2018

[Resenha] Coragem Rose McGowan

Acredito que já falei isso aqui no blog mais existem certos livros que nos tocam tão profundamente que chega ser difícil comentar a respeito, a resenha de hoje é sobre esse tipo de leitura que no emociona e nos causa tantos sentimentos que quando concluímos até respirar fica complicado, senti isso e muitas outras coisas lendo a obra de Rose McGowan.

Sinopse: ROSE McGOWAN nasceu em um culto e o trocou por outro, mais visível: Hollywood.Rose McGowan se tornou uma das atrizes mais desejadas de Hollywood da noite para o dia quando foi “descoberta” nas ruas de Los Angeles. O estrelato logo se tornou um pesadelo de exposição constante e sexualização. Todos os detalhes de sua vida pessoal se tornaram públicos, e as realidades de uma indústria inerentemente machista emergiam a cada roteiro, papel, aparição pública e capa de revista.Hollywood esperava que Rose ficasse quieta e cooperasse. Em vez disso, ela se rebelou e impôs sua verdadeira identidade e voz.

“Coragem” é uma autobiografia onde a autora trabalhou sua vida de forma diferenciada, ela usou todos os acontecimentos mais traumáticos que viveu como um modelo e exemplo do que não devemos fazer e pensar, como uma especie de alerta a escrita da autora no leva para um caminho de reflexão sobre algumas circunstâncias em que vivemos atualmente, uma delas é a manipulação através de industrias como a do cinema. O livro tem como foco e  funciona como um meio de denúncia a abusos contra mulheres de diferentes classes sociais.

Rose McGowan nem sempre teve esse nome, cresceu em uma comunidade chamada Meninos De Deus, onde diferente do que o nome sugere era praticado coisas muito contrárias do que Deus supostamente aprova, manipulada pelo pai ela e seus irmãos tiveram um infância extremamente difícil, dolorosa, abusada de todas as formas possíveis viu sua família se desestruturar cada vez mais, quando seu pai saiu da comunidade de hippies onde coisas terríveis eram feitas com mulheres e crianças, a menina  viu sua mãe sendo abandonada por ele, ao sair da comunidade o pai de Rose já tinha uma nova esposa nessa época ele ainda era lúcido maltratava os filhos mais tinha um pouco de sanidade ainda.

Nesse etapa da leitura já percebemos em que condições se deu a criação da autora, e como já desde de muito nova ela foi submetida aos desejos de homens que estavam presentes em sua vida, o primeiro homem a trata-la como submissa e inferior por ser mulher foi seu próprio pai. Rose teve muitas fazes, chegou a morar nas ruas e passar fome entre tantas outras coisas, depois de um tempo nas ruas teve ajuda de uma tia e logo após voltou a morar com seu pai. Antes disso teve uma pequena experiência com a mãe e tudo estava indo bem até que ela se casou com um homem agressivo que molestava as próprias filhas e batia em Rose sempre que podia, sua experiência com a mãe não poderia ter sido pior.

Rose teve um namorado, seu primeiro namorado, o tempo que passaram juntos foi entre tantas outras coisas devastador para ela, ele era usuário de drogas, violento, e ela se viu presa em um relacionamento fadado a tragédias, foi uma luta dura sair daquela situação. Nesse mesmo período ela desenvolveu uma antipatia pelo próprio corpo se tornando anorexa.

A autobiografia escrita por McGowan relata muito mais do que mencionei aqui fiz um breve resumo de como inicio a vida dessa mulher que hoje é mais conhecida pelo seu trabalho como atriz, trabalho esse que gerou novos desafios e infelizmente abusos, na industria do cinema ela relata toda a sujeira por traz das câmeras as quais estamos tão condicionados, as vezes não percebemos os males que existem em determinadas coisas porque estamos tão condicionados aquilo que nossa visão se fecha diante de tanta coisa errada. Esse livro é um tipo de alerta, através dele é possível ver a verdade da sociedade em que vivemos.

A escrita da autora é uma escrita dura, cheia de sofrimento, amargura e raiva, segundo uma entrevista que ela realizou esta preparando sua vingança como mulher há 20 anos e Coragem é a maior delas umas das mais sensatas que ela poderia ter realizado. O livro nos proporciona um misto de sensações e sentimentos que vão da empatia pela história de vida contada até a raiva e revolta por saber que essas coisas acontecem o tempo todo e poucas pessoas fazem algo a respeito, e por falar nisso uma das coisas mais lindas que essa mulher conquistou de mim como leitora foi respeito.

Coragem é um livro forte, escrito de uma forma crua e sincera que merece ser lido por quantas pessoas for possível.
Auto Biografia • Editora Harper Collins• 288 Páginas • Classificação: 5/5
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13 abr, 2018

Filme As Sufragistas

Quando comecei a assisti a produção que foi lançada em 2015, fiquei completamente envolvida com o drama vivido pelas personagens, uma clara introdução ao feminismo e a luta da mulher para ter seus direitos reconhecidos pela sociedade e que sua imagem seja vista além da fragilidade que era imposta graças aos homens.
Um filme que retrata as dificuldades enfrentadas por nós mulheres para chegarmos aonde estamos hoje, e termos o direito de opinar nas decisões tomadas em nosso país, termos direito ao voto, ao trabalho e salário igualitário, a mensagem de toda a história contada no filme é muito clara e sinceramente revoltante ao mesmo tempo, para nós mulheres que ainda sofremos com o preconceito, com o abuso de nosso sexo, com o fato de sermos vistas ainda hoje pela sociedade, como sexo frágil é revoltante, mais também é um alerta de que lá atrás começamos uma luta que hoje mantemos e resistimos o quanto for necessário.

Sinopse: No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

Quando Maud descobriu um grupo de mulheres que estão lutando pelo direito do voto e opinião nas decisões públicas, ela era apenas uma  operária de uma fábrica de lavar no inicio do século XX, casada mãe de um menino de mais ou menos 7 anos na época retratada no filme, e nunca imaginou que iria enfrentar uma luta tão marcante e importante da forma como foi feita, nossa protagonista perdeu o direito de estar com o filho, a confiança do marido foi se esvaindo e a vergonha que ele achava estar passando por ter uma esposa manifestante foi mais forte do que o amor que sentia por ela.
“As Sufragistas” foi uma produção incrível baseada em fatos reais, um filme que pode ser usado para exemplo da força feminina, como a luta por direito foi importante e ainda é nos dias de hoje, o sofrimento e toda a humilhação sofrida pelas personagens retrata basicamente o que milhares de mulheres viveram e vivem, é uma batalha ainda muito presente e não podemos nos esquecer jamais.Espero muito que tenham gostado da dica de hoje, assistam o filme! Garanto que irão gostar tanto quanto eu, um grande beijo e até a próxima!