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17 mar, 2019

[Resenha] Praia De Manhattan @intrínseca

“Praia De Manhattan” foi uma leitura que me deixou reflexiva sobre diversas questões, uma das mais importantes foi a criatividade da autora em criar um romance histórico tão centrado em seus personagens como nunca havia lido antes. Impactada ainda estou com o livro e tudo que ele representa, sua singularidade é admirável!



Sinopse: Tributo à tradição dos grandes romances americanos, o novo livro da vencedora do Prêmio Pulitzer acompanha Anna Kerrigan e Dexter Styles em um universo noir povoado por gângsteres, mergulhadores e banqueiros durante os tempestuosos anos 1940.Com quase 12 anos, Anna acompanha o pai à casa de Styles, uma figura enigmática que pode ser crucial para a sobrevivência de sua família. Durante a visita, ela fica completamente hipnotizada pelo mar em volta da construção e pelo mistério que ronda a relação entre os dois homens. Anos depois, o pai de Anna desaparece. Já adulta, ela se torna a primeira mulher mergulhadora e conserta os navios que vão ajudar o país durante a Segunda Guerra Mundial. É nesse cenário que, em uma noite de folga, reencontra Styles em uma boate. Certa de que ele pode ajudar a desvendar os segredos que envolvem a história do pai, Anna inicia uma relação tão improvável quanto perigosa.

Anna Kerrigan é uma criança peculiar, não tão bonita como sua irmã porém esperta e observadora como ninguém, ela vive uma infância centrada em seus relacionamentos familiares. Seu pai é um homem forte e transmite para a jovem menina uma segurança absurda de mundo, sua relação com ele é doce, sincera e de muito afeto. Em casa Anna tem uma outra pessoa importante, sua irmã, Lydia sofre de uma doença que não a permite, andar, falar, comer ou fazer qualquer outra coisa sozinha, mesmo assim é dona de uma beleza que faz brilhar os olhos de quem a vê.

Junto de sua mãe elas cuidam de Lydia com todo amor e afeto que se é possível, o momento mais íntimo entre as três mulheres daquela casa é quando o pai não está presente e elas podem dançar e sentir as ondas sonoras adentrarem suas almas. Geralmente após fazerem isso dão banho em Lydia para aliviar as tensões e dores que a pobre menina sente. Lavam seu cabelo com o mais cheiroso dos shampoos e mimam a pequena o máximo que podem.

Anna tem uma rotina da qual gosta muito, ela sempre está junto do pai em suas saídas a trabalho, ela é sua companheira e isso os unem muito, os passeios com o pai são os melhores e ela não abre mão de estar ao seu lado. Em um desses passeios as coisas mudam, e a jovem talvez muito tarde saberia o porque.

“Elas são bem mais fortes do que nós-ouviu-o dizer ao pai.-Por sorte nossa, não sabem disso” Página 17.

A obra foi ambientada em um período de crise, para muitas famílias em Nova York, a decadência de uma era, graças a quebra da bolsa de valores, para a família de Anna não foi diferente as dificuldades enfrentadas pela crise fizeram seu pai tomar uma decisão que permitiria a sobrevivência de todos.

“Só dói no começo-respondeu ela-Depois de um tempo, você não sente mais nada.” Página 16

A escrita de Jennifer Egan se intercala com a narrativa da jovem Anna e de seu pai, aos poucos o leitor também tem deslumbres de outros personagens narrando a história que compõem o romance, e essa escolha de escrita feita pela autora fez total diferença durante a leitura. Meu primeiro contato com seu trabalho foi absurdamente revelador e instigante, a forma como ela descreve cada acontecimento em seu livro nos faz adentrar aqueles cenários como se fossemos parte dele, entretanto somente como observadores dos fatos sem interferências maiores.

Inicialmente a obra de Egan é um total mistério, passagens desconhecidas ao leitor, até que a autora começa revelar de forma mais clara os conflitos que cercam seus personagens, as questões envolvendo o pai de Anna e sobre como ele decidiu salvar sua família da miséria também é colocada de forma misteriosa ao leitor o que torna o livro cada vez mais interessante. Após alguns anos podemos acompanhar a trajetória que Anna deu a sua vida, já mais velha e empregada em um uma função nada convencional, ela trabalha no arsenal da marinha e continua sendo a mesma jovem sonhadora que foi na infância. Mesmo ainda nutrindo sonhos como quando criança Anna se torna a responsável pelo sustento de sua família, após o pai ter desaparecido, aos poucos ela vai se desenvolvendo na marinha e sobe de cargo.

“As vezes é mais dificil pedir a Deus alguma coisa para si mesmo.”

Após muitos anos a jovem não desistiu de achar seu pai, e entre as responsabilidades do trabalho e família ela investiga paralelamente o seu sumiço, Anna acaba descobrindo que ele estava envolvido com um mafioso chamado Dexter Styles, essa descoberta é um choque para a jovem que constatou o envolvimento do pai com crime.

A obra é um misto de crise financeira e guerra, conhecemos um pouco daquele período e temos como pano de fundo uma época de corrupção, mafiosos, gangsters e ilegalidade. O livro possui quase 500 páginas em alguns momentos a leitura torna-se meio lenta o que foi um pouco difícil de lidar, fora isso a autora entrega um trabalho digno muito bem realizado que me agradou muito.

Jennifer Egan é uma escritora reveladora, criativa, inteligente, e consegue ligar seus personagens com os fatos e circunstâncias que propõem em sua obra, uma característica admirável, a edição lançada pela editora Intrínseca é muito bonita, adorei a capa do livro que já remete um pouco do que ele irá contar. O livro levanta algumas questões importantes atualmente e que devem ser debatidas de forma mais profunda, isso também provoca algumas reflexões sobre essas questões o que coloca o leitor para pensar.

Enfim a obra vale ser lida e conhecida, recomendo para os que procuram algo criativo e instigante, com personagens sólidos e histórias reveladoras.

Espero muito que tenham gostado!

Jennifer Egan nasceu em Chicago e cresceu em São Francisco. Além do premiado A visita cruel do tempo, que ganhou o Pulitzer de Ficção 2011, é autora do best-seller The Keep e teve trabalhos publicados nas revistas New Yorker, Harper's Magazine, Granta, GQ, Zoetrope e Ploughshares. Por seus artigos de não ficção, escritos para a The New York Times Magazine, recebeu diversos prêmios jornalísticos. Atualmente, Egan vive no Brooklyn com o marido e os filhos.

Jennifer Egan nasceu em Chicago e cresceu em São Francisco. Além do premiado A visita cruel do tempo, que ganhou o Pulitzer de Ficção 2011, é autora do best-seller The Keep e teve trabalhos publicados nas revistas New YorkerHarper’s MagazineGrantaGQZoetrope e Ploughshares. Por seus artigos de não ficção, escritos para a The New York Times Magazine, recebeu diversos prêmios jornalísticos. Atualmente, Egan vive no Brooklyn com o marido e os filhos.

Xoxo.
Título Original: Manhattan Beach|Páginas: 446|Gênero: Romance|Editora: Intrínseca |Minha Avaliação: 5/5 |Comprar: Amazon


26 ago, 2018

[Resenha] Jardim De Inverno Kristin Hannah

Sinopse: Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas.

“Jardim de inverno” é um romance, onde a autora abordou um drama familiar e concentrou a história em cima desse drama, um livro rico em acontecimentos que gostei muito de ler, com algumas ressalvas é claro, espero muito que gostem da resenha.
Escolhi realizar a leitura de ‘Jardim De Inverno’ porque achei muito propício aproveitar a temática da obra na estação que mais gosto do ano, antes que ela acabe, e gostei muito de boa parte da obra e escrita de Kristin, eu particularmente gosto muito de dramas, é o tipo de leitura que me atrai, não sei explicar o motivo, e além de toda essa abordagem existe um suspense em relação a um dos personagens em que autora conseguiu explorar bem e que me deixou mais interessada e ligada a leitura.

“Nós mulheres, fazemos escolhas pelos outros, não por nós mesmas. E quando somos mães, nós suportamos o que for preciso por nossos filhos.”

Conhecemos um pouco da vida de Meredith e Nina, duas irmãs que tiveram a infância negligenciada pela mãe Anya, uma mulher que sofre com seus problemas pessoais e internos e mantém uma relação de carinho com o marido, um homem que cuida muito bem de sua família e que esta sempre disposto a mediar a relação da mãe com sua filhas. Anya nunca deu a Meredith e Nina a atenção e cuidado necessário, sempre foi muito fria e distante, entretanto o mistério está nesses fantasmas que assombram a vida dessa mulher.

Meredith e Nina seguiram caminhos completamente diferentes depois de adultas, Nina se tornou uma grande fotografa e passa a maior parte de sua vida viajando buscando o clique perfeito, já Meredith se casou, e tocou o negócio da família, ambas passam por momentos de verdadeiras provações, Meredith irmã mais velha enfrenta um distanciamento enorme entre ela e seu marido e isso tudo piora muito com o tempo, Nina nunca conseguiu se prender a nada e sempre que vê um problema ela foge para o mais longe possível.

Em meio a tantas circunstâncias negativas, as mulheres da estória de Kristin, sofrem um perda terrível, para as irmãs um pai maravilhoso e para a esposa o seu grande amor seu alicerce, este homem que por anos cuidou de sua família acaba morrendo e em seu leito de morte faz um último pedido as filhas, para que elas tentem de todas as formas possíveis se aproximarem da mãe mesmo quando Anya as afastarem.

A escrita de Hannah é envolvente, misteriosa e criativa, como disse anteriormente gostei de boa parte do livro, um romance bem construído, com bons personagens com histórias de vida sólidas e comparáveis a realidade exatamente como gosto em um livro, entretanto preciso fazer uma ressalva a forma como a autora contou repetidamente os sofrimento dessas mulheres, principalmente em relação ao papel de Meredith em seu casamento, em alguns momentos a leitura se tornou uma repetição de fatos já apresentados aos leitores.

A autora possui um escrita bem fluída e de fácil compreensão, o que torna a leitura agradável, somente em relação este ponto da repetição sobre algo que o leitor já tinha conhecimento, é que Hannah teria que ter melhorado, a obra toda é muito boa, e recomendável, espero muito que possam aproveitar a dica de hoje, vejo vocês em breve!

Drama • Editora Novo Conceito • 416 Páginas • Classificação: 5/5
Skoob • Compre: AmazonSubmarino Saraiva
06 dez, 2017

Resenha A Torre Do Terror Jennifer McMahon

“A Torre Do Terror” é um livro de linguagem simples e fluída, uma obra singular e que conquistou em muitos aspectos, diferente do que eu imaginei a leitura é muito dinâmica e nos prende do inicio ao fim, espero que gostem da resenha!

Sinopse: Um segredo macabro habita o Hotel da Torre Nos anos 1950, o Hotel da Torre, com seus 28 quartos, era a maior atração da pequena Londres, em Vermont. Hoje está abandonado, vivo apenas na memória de três mulheres — as irmãs Piper e Margot e sua amiga, Amy Slater, filha da família que o administrava. Elas costumavam brincar lá quando pequenas, até o dia em que as brincadeiras desenterraram algo macabro e sinistro do passado dos Slater — algo que determinou o fim da amizade de Piper e Margot com Amy. Com o passar dos anos, as irmãs fizeram tudo o que puderam para deixar o episódio para trás e seguir com a vida; Piper mora na Califórnia, enquanto Margot dedica-se à família e a estudar a história local. Até que um dia Piper recebe uma ligação de Margot em pânico: Amy e sua família estão mortos, supostamente pelas mãos da própria Amy. Só que, antes de morrer, Amy deixou escrita uma mensagem que as irmãs sabem ser direcionada a elas: “29 quartos”. De repente, Margot e Piper são forçadas a revisitar aquele verão fatídico em que encontraram uma mala e cartas que pertenceram a Sylvie Slater, tia de Amy, desaparecida na adolescência.

“A Torre Do Terror” nos apresenta três histórias que estão conectadas mais que ocorreram em períodos diferentes, em 1955 conhecemos as irmas Rose e Sylvie, seu pai é dono de um hotel na antiga Londres, e devido a diminuição de hóspedes ele teve a ideia de construir uma torre para chamar a atenção dos passantes e atrair clientes, nesse meio tempo coisas estranhas acontecem no hotel como aparições durante a noite o que assusta Rose.Em 1989 conhecemos as  três amigas Amy, filha de Rose, Margot e Piper, elas conhecem bem o hotel e  Amy ainda viveu ali  por muito tempo, juntas as jovens desconfiavam que ali existia um mistério algo sombrio e descobriram alguns segredos guardados nas paredes do lugar.

Porém esse mesmos segredos as distanciaram, em meados de 2013 Amy é acusada de matar toda sua família e depois se matar no entanto o intrigante na história da morte dela é que a mesma deixou uma mensagem que só suas amigas saberiam interpretar.

A leitura é intercalada entre o presente e o passado pela autora de maneira cada vez instigante e curiosa com uma escrita que empolga e motiva o leitor, o livro entrega uma história de terror psicológico complexo que o leitor tentar desvendar em cada capítulo, de forma geral a autora apresenta algo bem completo, com toda certeza vale a pena a leitura, principalmente pra quem aprecia o gênero.

O mistério envolvendo todos os personagens é o ponto principal do livro, o que motiva o leitor durante a leitura de quase 400 páginas. A obra de forma geral foi muito bem escrita e nos prende em sua narração, a autora foi muito minuciosa e detalhista mais não de forma negativa, essa característica trouxe riqueza para sua história.

Espero que tenham gostado um grande beijo e até a próxima!
Suspense| 378 Páginas | Skoob | Editora Record
|Compare & Compre: •Amazon| Classificação: 4/5
22 out, 2017

Resenha Meia Noite Em Pequim Paul French

Meia Noite Em Pequim” é um livro  extremamente intenso,
com um relato forte e marcante sobre o assassinato de uma jovem chamada Pâmela
Werner
,  foi surpreendente ler essa não
ficção e conhecer um pouco do trabalho do autor que já se tornou um
favorito,  uma estória que vale cada
capítulo de leitura, espero que gostem!

Sinopse: Pequim, 1937 Na manhã fria de 8 de janeiro, o corpo da jovem Pamela Werner, filha de Edward Werner – ex-cônsul britânico e personalidade respeitada pela comunidade local –, é encontrado em um terreno baldio. Mutilada e com marcas de espancamento, a vítima teve todo seu sangue drenado e seu coração arrancado. Um cenário cruel que levou medo às ruas decadentes de Pequim e ao Bairro das Embaixadas, morada de ricos estrangeiros e de poderosos diplomatas que criavam suas próprias leis. Um maníaco, vingança ou apenas azar? Motivação política ou retaliação do inimigo japonês? Quem seria capaz dessa barbárie e por quê? A ocupação da China pelas tropas japonesas é inevitável e o governo de Pequim, instável e corrupto, está prestes a abandonar sua população à própria sorte. É apenas uma questão de tempo até que esse inebriante mundo de regalias, escândalos, superstições, clubes de elite e casas de ópio desmorone, arrastando chineses e estrangeiros. E nesse período conturbado, onde os senhores das guerras agem em benefício próprio e as incertezas tomam conta de todos, os detetives Han, da polícia chinesa, e Richard Dennis, ex-membro da Scotland Yard, correm contra o tempo para juntar as pistas e solucionar o caso de Pamela antes da temida invasão. Setenta e cinco anos após esses acontecimentos, o pesquisador Paul French reconstitui uma história verídica e desvenda os mistérios por trás desse assassinato brutal enquanto retrata com riqueza de detalhes os últimos momentos da Pequim colonial.

Quando a jovem Pamela foi encontrada em uma vala na Torre da
raposa em Pequim, seu pai já estava procurando por ela á muitas horas, já havia passado por todos os bairros e locais populares da cidade onde vivia, ele
finalmente viu um aglomerado de gente e viu uma moça loira e nova morta, à crueldade da morte de Pamela foi tanta que a priore ela estava
irreconhecível, mais não para ETC Werner seu pai.

” Minha primeira impressão foi de que estava olhando para um animal, em vez de para um ser humano. Ele tem o rosto comprido, olhos muito grandes, um pronunciado nariz aquilino ( o que foi notado pelo puxador de riquixá na noite do assassinato) e um corpo ( apenas parcialmente coberto por um quimono, como é seu costume) evidentemente todo coberto com pelos escuros.”

No local onde o corpo foi deixado foram designados três
homens que se tornaram responsáveis pelo caso, o coronel Han, Thomas e o detetive Dennis, eles fizeram uma busca pelo local e avaliaram a possível cena de
crime dando inicio a investigação mais difícil já vista na história da china.

O livro apresenta uma proposta intensa onde conhecemos um
pouco das história local, e o momento que a china está vivendo passando por um
período de guerra e sofrimento, os moradores de Pequim estavam devastados pela violência constante, crimes sem solução e assassinatos horríveis como o de Pâmela, quando ela era apenas uma criança foi adotada por Werner e sua esposa, essa por sua vez morreu de overdose e na época todos acharam sua morte suspeita, voltaram suas acusações para o marido, entretanto ele não foi culpado pela morte da mulher assim como não é culpado pela de morte de sua filha, Werner terá que investigar ele mesmo os caminhos escuros e sombrios desse crime que mudou sua vida por completo.

Sem dúvida umas da melhores leituras deste ano, o livro foi perfeitamente bem escrito, bem narrado, com riqueza em detalhes, relatando os fatos de uma história real, adorei a oportunidade de conhecer o autor e pretendo em breve ler mais obras dele. Espero que tenham gostado.
Literatura Inglesa| 381 Páginas | Skoob 
| Compare & Compre: •Amazon| Classificação: 5/5