[Resenha] A Cachorra-Pilar Quintana @intrínseca

10 de dezembro de 2020Michelle

Minha última leitura me fez companhia nessa última semana que foi especialmente difícil e intensa por conta da graduação em letras, os dias foram corridos, porém ler esse livro com poucas páginas e com uma carga emocional elevadíssima foi uma experiência muito marcante, conhecer Damaris em “A Cachorra” foi uma oportunidade que irei guardar na memória por muitos anos. Espero que gostem da resenha!

Sinopse: Desde muito cedo, a vida de Damaris é marcada por tragédias e, apesar da companhia de Rogelio, carrega uma solidão que talvez tivesse sido aplacada pelo filho que nunca conseguiu ter. Cuidar da casa de veraneio há muito abandonada pela família Reyes ocupa seus dias, alivia sua consciência pelo que sente ter sido omissão sua no passado, mas nada disso lhe traz conforto. Quando, num rompante, decide adotar a cachorra da ninhada de uma vizinha, Damaris tem a chance de desviar um pouco o foco das tentativas frustradas de engravidar. A fêmea que agora circula pela casa modesta faz aflorar instintos protetores e violentos, emoções díspares e profundas que supostamente só poderiam ser despertadas pela maternidade. A força e a intensidade dessa relação alteram tão drasticamente as dinâmicas de sua existência que Damaris já não sabe se a simples presença da cachorra fez sua vida ganhar ou perder, de uma vez por todas, o rumo. Breve e magnético, A cachorra se passa em um cenário de dualidades entre beleza e violência. Ambientado em uma bolha de tempo desacelerada, na qual os acontecimentos se desenrolam com a típica lentidão sazonal de uma cidade de veraneio, é um romance contundente sobre vidas marginalizadas em um contexto bastante familiar aos leitores latino-americanos.

Damaris está em um casamento falido com Rogélio, os casal vive de maneira muito deprimente,  sem filhos após muitas tentativas, algumas até eu diria peculiares que são resultado de um desespero por parte dela em ser mãe, o que torna seus atos sobre esse assunto completamente compreensíveis. A vida tem um jeito diferente de nos dar o que queremos e foi isso que aconteceu a Damaris que mesmo sem filhos adotou uma cachorra ao qual nomeou de Chirli o mesmo nome que iria dar a filha caso tivesse conseguido tê-la.

Passamos então a acompanhar a jornada dessa mulher que nunca conseguiu engravidar e que chegou a depositar suas esperanças em crenças e feitiçarias locais de onde vivia para ter a dádiva de ser mãe, fracassando por obra do destino ou Deus quem sabe Damaris acaba por depositar seus desejos, amor, e desassossego na adoção dessa cachorrinha que agora ela trata tão bem, e cuida de sua segurança como  ninguém faria.

Damaris viveu muitas dores e solidão todos no local onde ela vive com marido a culpam pela infertilidade, acusam de ser uma mulher oca por dentro sem se importarem com a dor e ofensa causada a ela. Nossa protagonista acaba que por tentar aceitar o que a vida lhe dá e da maneira dela tenta se reconstituir enquanto mulher. Outras questões do passado assombram Damaris, fazendo com essa mulher se culpe por todo fracasso que teve durante sua vida.

A Cachorra é uma leitura extremamente sensível, muitas vezes até difícil de se ler porque podemos sentir a dor e desespero da protagonista na luta por uma vida na qual sempre sonhou. Toda sua dedicação com a cachorra adotada é reflexo de todo trauma e sofrimento presente na existência de Damaris e isso atinge o leitor por todos os lados.

A vida da protagonista analisada de forma bem crítica não tinha nada de especial, era uma vida sofrida com perdas, sonhos, julgamentos, obstáculos como a de todos nós, mais na vida nada é tão simples quanto parece, tudo tem um sentindo, um significado maior do que estamos vendo naquele momento, e foi exatamente isso que me marcou nessa leitura, saber que tudo que nos acontece é mais complexo e gera mais sentimentos do que imaginamos, nossas vidas são sim intensas e cheias de labirintos, nada é por acaso. A leitura faz com que o leitor pense bom as coisas são realmente assim, e ao mesmo tempo poxa eu gostaria que não fossem!

Pilar Quintana sabe construir sua obras de maneira muito sólida, seus personagens são tão reais que é como se pudéssemos toca-los, sua história vai de encontro com o real, foge da ficção ou fantasia que buscamos em um livro, todavia essa é a magia do trabalho da autora, transformar uma história mundana em algo tão precioso e repleto de reflexões e sentimentos. Assim como na vida somos enquanto leitores de sua história tomados por diversos sentimentos, junto de seus personagens, que nos remetem a seus passados, angústias e conflitos. Fazendo com que o leitor analise sua própria existência!

Conhecer essa história pode ser uma tarefa dolorosa para o leitor, entretanto também será enriquecedora em muitos aspectos, a autora possui um dom especial que nos cativa, nos faz refletir sobre seus personagens nos colocando no lugar deles. A proposta de Pilar foi sensacional, trazer um drama do senso comum para dentro de sua obra outro ponto admirável. A escrita é fluída nos prende e nos envolve com o cotidiano de vida da protagonista.

Esse meu primeiro contato com o trabalho de Quintana foi muito positivo e marcante, espero ter chance de ler outras coisas escritas por ela, espero que tenham gostado da resenha!

Xoxo.

Título original: La Perra| Páginas: 157| Gênero: Romance Colombiano| Editora: Intrínseca| Minhas Avaliação:4 /5| Comprar: Amazon

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Comments (2)

  • tania m

    22 de dezembro de 2020 at 16:42

    Eu amo cachorros e acredito que eles podem ser ótimos companheiros. A história da Damaris é bem comum. Colocar um animal para tirar nosso foco de coisas que nos afligem e ao mesmo tempo aplacar a solidão. Gostei de sua resenha, a história me tocou por seu lado humano, fácil nos identificarmos em algum momento com personagens assim.bjis

  • cila

    29 de dezembro de 2020 at 13:18

    Oi Michelle, sua linda, tudo bem?
    Nunca poderia imaginar que uma capa dessa poderia guardar uma história tão sofrida e sensível. Eu fico cada vez mais emocionada com as vidas que os animais em geral, mas em especial os cachorros acabam salvando todos os dias. Tem como não amá-los??? Vou colocar na minha lista e espero ser tocada como você. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijihos.
    cila.

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