[Resenha] A Filha Perdida – Elena Ferrante @intrínseca

10 de agosto de 2020Michelle

Minha última leitura me deixou extremamente surpresa, imaginei ser um livro mais leve sem muitos assuntos intensos e me deparei com uma obra rica de vivências reais e duras até eu diria, esse foi meu primeiro contanto com a escrita de Elena Ferrante e fiquei marcada pelas suas palavras. Espero que gostem da resenha!

Sinopse: “As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas. Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres. Skoob

Leda é uma mulher madura professora universitária que dedicou sua vida a criação das filhas e do trabalho como educadora, entretanto ela também é uma pessoa amarga, infeliz que faz questão de deixar claro o quanto não gosta de ter se  dedicado a maternidade e a ingratidão que isso gerou a ela como mãe. Cansada e ao mesmo tempo muito aliviada pelas filhas não estarem mais sob suas asas Leda resolve viajar de férias para praia.

A maneira como Leda expõe suas memórias narrando todo o livro é muito sincera e com muito rancor, ela conta suas lembranças de uma vida que claramente  se arrepende e muito de ter tido. Leda fala sobre como foi ser mãe de duas meninas e tudo que essa função lhe acarretou durante a vida, todas as lembranças da mulher nos remete á infelicidade e arrependimento com um toque de amargura, porém ao mesmo tempo que a protagonista nos relata suas dificuldades com a maternidade ela também cobra ligações das filhas para saberem como esta indo sua viagem.

Na praia onde Leda escolheu ficar a professora começa a observar uma família muito grande com figuras excêntricas que a faz lembrar da própria criação em meio á tios e primos com as mesmas características da família da praia. O que mais chama atenção de Leda e se torna objeto de obervação é o relacionamento de uma jovem mãe com sua pequena filha. Nina e Elena acabam por se aproximar de Leda o que da início ao um pequeno relacionamento entre a mulher madura e a jovem que ainda enfrentará muitas coisas na vida.

Durante toda as férias Leda acaba por tomar algumas atitudes conturbadas que fará toda a história ter um foco central, sua relação com Nina apesar de nova pode gerar alguns conflitos internos e externos a todos os envolvidos. A obra tem uma narrativa tranquila repleta de lições e com assunto principal abordado “a maternidade”.

Elena Ferrante trabalhou uma história em que ser mãe é um ato que envolve diversos comportamentos, na obra conhecemos a história de Leda e de outras figuras mães com suas próprias experiências ou nenhuma no caso da cunhada de Nina que está grávida de seu primeiro filho por exemplo. O que torna o livro um incômodo em alguns momentos é a intensidade dessas histórias e como a história é pelos olhos de Leda tudo acaba de um jeito meio amargo trazendo sentimento conflitantes para o leitor.

Acredito que uma das características mais fortes na escrita da autora é honestidade, ela não traz floreios para seus personagens e sim os mostram como são e o interessante que estão muito ligados com pessoas reais e histórias de vida reais fazendo com que “A Filha Perdida” seja uma obra mais que especial, significativa!

Elena Ferrante é uma escritora que possui uma escrita maravilhosa, fluída e de forma linear ela nos propõem uma leitura leve, com vários ensinamentos sobre o ato de ser mãe, sobre como isso muda de pessoa para pessoa, um livro rico de diferentes maneiras, a narrativa pelos olhos de Leda é dramática o que faz o leitor sentir algumas coisas como a solidão dessa mulher ou até mesmo sua infelicidade, porém o livro também apresenta reflexões sobre a vida, sobre como agimos com nossos pais e até mesmo nos faz entender um pouco melhor o comportamento deles e o nosso.

Os desfechos dessa história se deram de forma rápida, envolvente e reflexiva tudo ao mesmo tempo, esse foi o primeiro livro que li da autora e irei iniciar minha segunda experiência com o trabalho da mesma, recomendo a leitura á todos que procuram uma boa história de vida, sobre mães, com uma boa escrita e muita sinceridade.

Título Original: La Figlia Oscura |Páginas:173|Gênero:Romance|Editora: Intrínseca|Minha Avaliação: 3/5

Comments (3)

  • Ana Caroline Santos

    7 de setembro de 2020 at 01:28

    Olá, tudo bem? É sempre maravilhoso essa oportunidade que os livros tem de nos surpreender né?! Nunca li nada da autora, mas sempre vejo elogios para seus livros e obras, e não é diferente de A Filha Perdida. Por tudo que disse, tenho certeza que me seria uma ótima leitura e fiquei mega curiosa. Dica anotada!
    Beijos

  • Ana Souza

    7 de setembro de 2020 at 15:26

    ando vendo algumas resenhas desse livro e sempre com reações positivas.
    Vou ter que ler também pelo visto né?! uahuuahuha
    Adorei sua resenha e muito obrigado pela dica!

    beijinhos

  • Mara Santos

    10 de setembro de 2020 at 11:32

    Oi, Mi!

    Eu ainda não li nada dessa autora, mas tenho muita vontade. Esse livro parece ser incrível!
    Gosto de livros que envolvem histórias de mulheres, saber que foi a sua primeira experiência com ela e que você curtiu tanto, jáme deu muitaaaaa vontade de ler ele.

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