Karina Sainz Borgo lançou seu primeiro romance em janeiro deste ano. “Noite em Caracas” relata a crise humanitária na Venezuela. Publicado na Espanha, teve direitos negociados para 22 países. A Venezuela não é um deles. G1

Sinopse:Violência, anarquia e desintegração ditam o ritmo em Caracas. Nesse cenário desolador, Adelaida Falcón tem a vida destroçada pela morte da mãe. Logo depois do enterro, ela se depara com sua casa ocupada por um grupo de mulheres. Ao procurar ajuda, tenta falar com a vizinha, Aurora Peralta, conhecida como “a filha da espanhola”, mas a encontra morta. Em cima da mesa da sala, Adelaida vê documentos que podem mudar sua vida, dando início a uma jornada pela própria sobrevivência. Noite em Caracas retrata a saga de uma mulher que enfrenta situações extremas, enquanto precisa aceitar a ausência definitiva da mãe homônima, em um país que também desaparece aos poucos. Ela narra sua história entremeando lembranças de um passado não muito distante, de uma vida simples como filha de professora em um grande centro urbano, com um presente no qual resistir se torna um ato de amor e coragem. Skoob

“Noite Em Caracas” é uma história que vai além da ficção, narrado em primeira pessoa, conhecemos Adelaida nossa protagonista, uma mulher que vive em um cenário de guerra e destruição, tudo em que acreditou um dia foi arrancado brutalmente de sua vida. Desamparada após enterrar sua mãe com muita dificuldade essa mulher passou por uma verdadeira prova de fogo para sobreviver.

‘Meu livro não está na Venezuela porque custaria o salário de 4 meses’, diz autora de ‘Noite em Caracas’ na Flip.

Adelaida Falcón precisou enterrar sua mãe da maneira mais honesta e respeitosa que conseguiu, dadas as circunstâncias vividas naquele momento a filha fez o melhor que pode, após meses de sofrimento tratando da mãe que estava fadada a morte, agora além de lidar com essa dor terrível ela teria que buscar forças que jamais soube existir dentro de sí para permanecer viva.

“Enquanto eu redigia a inscrição para o seu túmulo, entendi que a primeira morte acontece na linguagem, nesse ato de arrancar os sujeitos do presente para instalá-los no passado”.

Todas a noites os moradores locais se encolhem dentro de suas casas e se apegam ao que restou de esperança e fé de que um dia as coisas iriam melhorar, talvez não, como é o caso de Adelaida que ao escurecer passa a ouvir os tiros, bombas e sentir o gás lacrimogênio usado por essa bando de homens e mulheres impiedosos, o máximo que ela faz é resistir acordada e torcer muito para amanhecer com vida, mais esperança essa pobre alma já não possui.

 

Nossa protagonista tem sua casa invadida por mulheres que se intitularam no poder de Caracas, e ainda tem os filhos da revolução que sem dúvida irão tornar a vida naquela cidade um verdadeiro inferno. Adelaida Falcón precisou se inventar, precisou de inteligência, precisou de muita coragem para enfim renascer.

Muitas coisas nesta obra se torna incomoda ao longo da leitura, saber que não vivi em um lugar como este é uma benção e sou grata por isso. A obra é e se torna cada vez mais intensa conforme acompanhamos os relatos de Adelaida que como ficção foi criada pela autora com intuito de relatar os horrores da Venezuela, um lugar de miséria, guerra, fome por poder e sem dúvida esquecido pelo mundo.

 

A leitura nos proporciona uma pequena viagem a vida de Adelaida que a cada capítulo entre presente e passado nos conta através de suas lembranças como foi sua criação, como era viver em lugar como Caracas e como era sua relação com a mãe que tanto a amou e protegeu, os ensinamentos que ela deixou a protogonista e tudo que ela preciso aprender por conta própria com vida.

Karina Sainz Borgo possui uma escrita direta e sincera sobre todos os acontecimentos que escolheu relatar em seu livro, este que por sua vez é seu romance de estréia e ao meu ver a autora conseguiu entregar sua proposta, mesmo que para isso ela tenha partido meu coração em saber com detalhes e requinte de crueldade as coisas que acontecem no mundo e que muitas as vezes nos fechamos os olhos por ser difícil demais de lidar.

 

O livro é extremamente tocante e complexo, entretanto sem dúvida nenhuma ele deve ser lido por quantas pessoas for possível, é uma alerta uma maneira de abrir os olhos de nossa sociedade para o sofrimento alheio. Sinceramente me senti triste, envergonhada e ao mesmo tempo apavorada com a possibilidade de pelo menos metade do que autora contou ter acontecido de fato com alguém.
Espero muito que essa obra alcance pessoas pelo mundo todo!
Título Original: La Hija De La Espanõla |Páginas: 238 |Gênero: Romance Venezuelano |Editora: Intrínseca|Compras: Amazon|Minha Avaliação:4/5
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