[Resenha] Um Amor Incômodo-Elena Ferrante @intrínseca

12 de agosto de 2020Michelle

Falar sobre leituras que causam sentimentos conflitantes é sempre muito difícil, anteriormente eu compartilhei com vocês minha primeira experiência com a escrita e trabalho da autora Elena Ferrante. Em A Filha Perdida tive a chance de me introduzir no estilo de narrativa que a autora usa e foi muito bacana, agora trago mais uma vez minha opinião sobre “Uma Amor Incômodo” que também irá abordar o relacionamento familiar, porém dessa vez da filha para com sua mãe. Espero que gostem da resenha!

Sinopse: Aos quarenta e cinco anos, Delia retorna a sua cidade natal, Nápoles, na Itália, para enterrar a mãe, Amalia, encontrada morta numa praia em circunstâncias suspeitas: a humilde costureira, que se acostumou a esconder a beleza com peças simples e sem graça, usava nada além de um sutiã caro no momento da morte. Revelações perturbadoras a respeito dos últimos dias de Amalia impelem Delia a descobrir a verdade por trás do trágico acontecimento. Avançando pelas ruas caóticas e sufocantes de sua infância, a filha vai confrontar os três homens que figuraram de forma proeminente no passado de sua mãe: o irmão irascível de Amalia, conhecido por lançar insultos indistintamente a conhecidos e estranhos; o ex-marido, pai de Delia, um pintor medíocre que não se importava em desrespeitar a esposa em público; e Caserta, uma figura sombria e lasciva, cujo casamento nunca o impediu de cortejar outras mulheres. Na mistura desorientadora de fantasia e realidade suscitada pelas emoções que vêm à tona dessa investigação, Delia se vê obrigada a reviver um passado cuja crueza ganha contornos vívidos na prosa elegante de Elena Ferrante. Skoob

Delia recebe a notícia de que sua mãe foi encontrada morta boiando em um rio, no fundo ela sabia que tinha alguma coisa errada principalmente porque teve alguns contatos com a mãe por telefone antes de sua morte, Amália parecia outra pessoa o que fez Delia desconfiar de suas palavras. Ao ir de encontro com o local onde o corpo foi achado ela logo observou três coisas, sua mãe ainda estava com a aliança de casada, mesmo não sendo mais casada com seu pai há algum tempo, ela estava ainda com os brincos que usava frequentemente e o mais curioso e perturbador para Delia, Amália usava um sutiã de uma marca fina para senhoras de sua idade muito diferente dos trapos que costumava usar até onde Delia se recordava.

Tudo na morte de Amália se torna um mistério, sua filha está perdida em pensamentos durante o enterro da mãe ao lado de suas duas irmãs na cidade onde cresceram, cada uma delas vive em um lugar diferente casada e com filhos e se reuniram para a despedida da mãe. A única que que não tem para quem voltar é Delia, nesse retorno a sua cidade natal ela irá enfrentar algumas coisas como sentimentos e aflições do passado, sua memória fará com ela se apegue aos fiapos de existência da mãe.

Desde o começo dessa história Delia deixa muito claro o tipo de relacionamento que tem com a mãe, nada afetuoso, repleto de angústias e magoas, lembranças dolorosas e falta de afinidade, uma relação entre mãe e filha que eu diria até obscura, e que se torna intensa e vívida nas memória da nossa protagonista que faz questão de nos contar até mesmo o certo alívio em algumas questões que sentiu agora que a mãe morreu. Apesar de tudo Delia está determinada a refazer as últimas horas de vida da mãe que teoricamente iria visita-la mais devido as circunstâncias nunca chegou ao destino. Com seu retorno á Napole Délia irá reviver o passado e através dele descobrir o que aconteceu com Amália.

A leitura nos causa certo desconforto, porque na maioria das vezes a relação de mãe filha aos olhos do leitor deve ser algo grandioso, que nos remete a sentimentos positivos e nessa história em especifico isso ocorre de maneira contrária, temos uma personagem que acaba de perder a mãe e acaba nos mostrando lembranças de infância e juventude dolorosas que essa relação causou. Delia acaba por voltar ao passado de uma maneira muito sensível e todos os sentimento dela são transmitidos ao leitor o que nos causa um conflito interno enorme.

Não posso dizer que os pensamentos de Delia em relação a Amália são injustos porque nem sempre filha e mãe se dão bem como deveria ser, então não nos cabe julgar apenas procurar entender, acredito que foi essa uma das mensagens que Ferrante quis passar para o seu leitor. Claramente a autora possui o dom de criar cenários em que o leitor acaba se questionando sobre atitudes e pensamentos dos personagens, onde o mesmo acaba se perguntando o que seria certo ou errado por exemplo no caso de Um Amor Incômodo. Esse título nunca fez tanto sentindo até a finalização da obra.

As consequências do retorno de Delia para Napole são enormes, a autora trabalhou cada detalhe dessa obra e isso tornou o livro especial e angustiante ao mesmo tempo, com as lembranças da protagonista ela meio que anda pela cidade, nessas andanças encontra figuras do passado aos quais ela não tem boas memórias, é infinitamente doloroso ler cada passagem desses encontros. Ao mesmo tempo é muito reflexivo! Será que estamos prontos para enfrentar nossos medos e angustias?

Finalizando

“Um amor incômodo” é leitura que apesar de curta exige uma carga emocional do leitor que não consigo mensurar em palavras, é sensível acompanhar toda  á história que muitas vezes torna-se sufocante, isso tudo que autora conseguiu causar no leitor mostra a capacidade e talento da mesma. A obra é narrada pelos olhos de Delia e temos alguns deslumbres do comportamento de Amália durante sua vida.

O livro foi escrito de forma simples, envolve o leitor em sentimentos profundos e nos causam reflexões e conflitos internos como mencionei acima, também temos uma história muito similar com nossa realidade o que faz toda diferença no meu caso enquanto leitor, eu aprecio muito leituras desse tipo que nos cerca de coisas reais, situações reais e parecidas com o que vemos no mundo de fato. Recomendo a obra para todos que querem se aventurar em uma boa escrita, para os que gostam de romance e não se importam de sofrer um pouco com os sentimentos do personagens!

Espero que tenham gostado!

Xoxo.

Título Original: L’amore molesto|Páginas: 173|Gênero: Romance|Editora: Intrínseca|Minha Avaliação: 4/5

Comments (6)

  • Debyh

    16 de agosto de 2020 at 18:56

    Olá,
    Lendo a sua resenha deu pra entender o quão desconfortável deve ser essa história, desde o relacionamento mãe e filha até o final deste relacionamento. Livros de drama geralmente trazem este tipo de reflexão, o que super gosto de ler.

  • Lilian Farias

    18 de agosto de 2020 at 11:22

    Ferrante sempre exige muito do leitor, isso é maravilhoso, como também é maravilhoso as resenhas que venho encontrando por aqui, adorando. esse livro me questão, ainda não li, infelizmente, mas está me minha lista, aliás, tudo que a autora escreve hehehehehe

  • Ana Paula Lima

    27 de agosto de 2020 at 12:20

    Oii!

    Eu sou apaixonada nessas capas simples da Intrinseca, são tão lindas! Já vi esse livro, mas acredito que essa seja a primeira resenha que vejo para ele.
    Estou numa fase de ler obras que exigem mais do leitor emocionalmente, gosto quando consigo me conectar com os sentimentos das personagens. Gostei da sua resenha e fiquei mais curiosa para adquirir a obra.
    As fotos estão lindas!!

    Beijinhos,
    Ani
    http://www.entrechocolatesemusicas.com.br

  • ANA SOUZA

    31 de agosto de 2020 at 16:14

    Já vi esse livro muitas vezes e todas elas, eu deixei passar….
    Nunca me atentei a saber a sinopse ou resenhas.
    Agora lendo a sua, me pergunto porque não dei atenção a esse livro antes. Achei a historia muito boa e amo leituras assim. Curtas mas bastante significativas.
    Amei a resenha e muito obrigado pela dica!

    beijinhos!!

  • Mara Santos

    1 de setembro de 2020 at 10:48

    Eu ainda não li nada da autora e confesso que me vi tão envolvida na sua resenha que acredito que a leitura fará o mesmo comigo. Parabéns pelo seu trabalho, acho que em sua resenha vc realmente transmitiu não só um pouco da história, mas os sentimentos que ela poderá despertar em mim!

  • Renata Cezimbra (Lady Trotsky)

    2 de setembro de 2020 at 02:50

    Oi Michelle, tudo bem?
    Ainda não li nada da Elena Ferrante, mas todos os livros dela são bem tensos e costumam ter histórias constantemente complicadas de digerir. O que não é nada ruim, considerando que a leitura serve para dar um bom sacode de realidade na gente.
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky…
    http://wwww.osvampirosportenhos.com.br

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