Medeia, Rosie Hewllett - Editora Trama

Ler Medeia foi como mergulhar em uma excelente história de mitologia, crenças, motivações, entre outras coisas. Em sua reconstrução de uma das imagens femininas e voz mais polêmica da mitologia grega, a autora nos convida a uma jornada cativante e inspirada pela trajetória de Medeia.


A proposta dessa narrativa é nos mostrar o outro lado da história dessa "bruxa" uma leitura singular que me fisgou do início ao fim, é o tipo de livro que você não pode e não consegue parar de ler. Essa não é só mais uma história sobre vingança, é também sobre a trajetória da infância tortuosa de uma jovem até a vida adulta, de uma mulher negada, traída e subjulgada mesmo sendo tão poderosa.

Por ser mulher ou por outros motivos, Medeia foi diminuída e, mesmo com tanto poder, algo que assustava todos os homens ao seu redor por não conseguir o controle absoluto sobre ela, mesmo assim ela ainda foi usada, enganada e deixada para trás.


Sobrinha de uma grande feiticeira, é nítido para todos, inclusive para o seu terrível pai (rei do lugar onde viviam), que ela possui os mesmos dons da tia. Proibida de usá-los por um ocorrido na infância, a jovem se vê indefesa e menosprezada por todos. A negligência familiar, tanto por parte da mãe quanto do pai, contribuiu para que ela se tornasse algo a se temer e muito.

Suas decisões se tornam questionáveis, mas nem tanto aos olhos do leitor, quando ela se apaixona por um estranho e decide fugir com ele, traindo sua família e o seu reino. Afinal de contas, eles não a faziam sentir parte da família, muito menos do reino e da sociedade.


Traidora, assassina e bruxa, essa é a visão que possuem de Medeia, porém sua história contada pelos seus olhos vai muito além disso, a narrativa segue pela voz que foi silenciada simplesmente por ser o que é, julgada por ser quem é. Medeia mostra ao leitor sua força e nos faz refletir sobre questões que nem imaginamos.

Muitas vezes, a negligência vem dentro do nosso próprio lar, a falta de acolhimento e preconceito nos atinge mais forte quando vem de quem amamos e quem julgamos nos amar. A dor do não afeto materno e paterno é uma dor que corrói e que nos leva à tortura em vida, essas são algumas das reflexões presentes na leitura.

A leitura explora de forma intensa a paixão, honra e o sofrimento feminino, permanece muito atual ao refletirmos sobre as dinâmicas de poder do casamento, a traição, a vingança e o preço que se paga por isso. Explora questões do domínio do homem sobre as mulheres, crítica à submissão feminina na Grécia Antiga, expondo como Medeia, uma mulher poderosa, é marginalizada pelo patriarcado.

Esse foi um livro memorável em 2025, que demorei um pouco para compartilhar com vocês, mas vale cada página lida. Você já conhecia?
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