Ler Medeia foi como mergulhar em uma excelente história de mitologia, crenças, motivações, entre outras coisas. Em sua reconstrução de uma das imagens femininas e voz mais polêmica da mitologia grega, a autora nos convida a uma jornada cativante e inspirada pela trajetória de Medeia.
Por ser mulher ou por outros motivos, Medeia foi diminuída e, mesmo com tanto poder, algo que assustava todos os homens ao seu redor por não conseguir o controle absoluto sobre ela, mesmo assim ela ainda foi usada, enganada e deixada para trás.
Suas decisões se tornam questionáveis, mas nem tanto aos olhos do leitor, quando ela se apaixona por um estranho e decide fugir com ele, traindo sua família e o seu reino. Afinal de contas, eles não a faziam sentir parte da família, muito menos do reino e da sociedade.
Muitas vezes, a negligência vem dentro do nosso próprio lar, a falta de acolhimento e preconceito nos atinge mais forte quando vem de quem amamos e quem julgamos nos amar. A dor do não afeto materno e paterno é uma dor que corrói e que nos leva à tortura em vida, essas são algumas das reflexões presentes na leitura.
A leitura explora de forma intensa a paixão, honra e o sofrimento feminino, permanece muito atual ao refletirmos sobre as dinâmicas de poder do casamento, a traição, a vingança e o preço que se paga por isso. Explora questões do domínio do homem sobre as mulheres, crítica à submissão feminina na Grécia Antiga, expondo como Medeia, uma mulher poderosa, é marginalizada pelo patriarcado.
Esse foi um livro memorável em 2025, que demorei um pouco para compartilhar com vocês, mas vale cada página lida. Você já conhecia?



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