Nunca tinha lido nada de Cercas antes, comecei logo pelo livro mais inédito e peculiar possível, em O Louco de Deus no Fim do Mundo as portas do Vaticano se abrem para este escritor que, pasmem é Ateu. Isso mesmo, ele foi convidado para fazer uma viagem a mongólia e acompanhar o Papa Francisco com a condição de ter um momento a sós com o Papa, para ele a ideia de viajar para o fim do mundo nessas circunstâncias ainda lhe parecia absurda.
Movido pela ideia do questionamento que desejava fazer ao Papa, Javier segue sua jornada e nos conta por meio de seu livro de maneira curiosa e cativante as vivencias obtidas de tal viagem. A leitura vai se torando cada vez mais surpreendente e reveladora onde o autor demonstra abrir mão do seu ceticismo e derrepnte ter fé não é mais uma escolha e sim necessidade.
A ironia da obra é obvia para quem a lê mas, para além disso ela traz reflexões gradiosas ao leitor, sobre fé, religiosidade, sobre as relações humanas, aqui o diálogo improvavél entre razão e crença tornam-se reais. Percebemos então o que autor deseja com a obra, uma análise profunda sobre a espiritualidade na vida das pessoas e qual é o papel da religião em nossas vidas, como a enxergamos e conduzimos nossas crenças.
"Uma confissão obrigatória: sou escritor porque perdi a fé. Eu a perdi quando era adoslecente, mas só há pouco percebi que compensei essa perda com a literatura, ou pelo menos só recentemte fui capaz de dizer isso"
Nesse sentido O Louco de Deus no Fim do Mundo se torna uma leitura encantadora de redescoberta que vai cativando o leitor e instigando a cada página a entender melhor os temas ali abordados, como uma verdadeira viagem a lugares que desconhecemos, com personagens que vão deixando um pouco de si para o leitor. A leitura marca de forma profunda quem a lê, nos faz questionar, pensar e reorganizar nossas crenças de maneira muito bonita.
De alguma forma assim como autor somos capazes de recuperar nossa fé que ás vezes pode estar perdida de certo modo, o livro tornar-se então uma história para se absorver e internalizar seus ensinamentos mais intensos e nos reconectarmos como quem somos de verdade!



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