Hamlet, uma das obras mais emblemáticas de William Shakespeare, é amplamente reconhecida como um dos maiores clássicos da literatura mundial. A trama acompanha o príncipe Hamlet da Dinamarca, cuja vida desmorona quando ele descobre que seu pai foi assassinado por seu próprio tio, Cláudio. A peça se desenrola em um cenário sombrio, repleto de intrigas, traições, espionagem e mortes, abordando temas universais como vingança, corrupção e a luta interna entre ação e hesitação.
Cláudio, o novo rei, casou-se com a rainha Gertrudes, que outrora era esposa do irmão falecido, o pai de Hamlet. O príncipe sente-se profundamente perturbado pelo casamento apressado da mãe, que ocorre apenas um mês após a morte do marido. Consumido pela dor e pelo desejo de vingança, Hamlet finge loucura para investigar o assassinato de seu pai e expor os culpados. Essa simulação de insanidade se torna uma das características mais fascinantes da peça, já que, por meio dela, Hamlet tenta desmascarar os envolvidos e engendrar um plano de vingança complexo e peculiar.
Ao longo da peça, Hamlet tem um encontro com o fantasma de seu pai, que o incita a vingar sua morte. Esse momento marca o início de uma jornada de desilusão e confrontos psicológicos intensos, que fascina o leitor e revela as profundezas da alma humana.
"Não é a minha natureza ser cruel, mas sim a minha vingança."
Escrita provavelmente entre 1599 e 1601, Hamlet não especifica o tempo em que a ação ocorre, mantendo-se atemporal. Como toda peça de teatro, a obra não conta com um narrador, pois o gênero dramático, ao contrário do narrativo, é estruturado para ser encenado, com os diálogos dos personagens e a ação no palco como seu principal meio de comunicação. A peça é dividida em cinco atos, com o primeiro contendo cinco cenas, o segundo apenas duas, o terceiro com quatro, o quarto com sete, e o quinto finalizando com duas cenas.
Classificada como uma tragédia, Hamlet é um exemplo clássico do período renascentista, especialmente do teatro elisabetano, que floresceu sob o reinado de Elizabeth I (1533-1603). Durante essa época, a Inglaterra experimentou um florescimento cultural e uma relativa estabilidade religiosa. Mesmo com a predominância do teocentrismo, houve uma abertura para o pensamento crítico e humanista. A figura do indivíduo, com sua racionalidade e subjetividade, se tornou central nesse contexto.
Como aponta Mário Fernando Bolognesi, "Shakespeare antecipa a principal característica do teatro moderno e burguês: a psicologização das personagens". Esse enfoque no desenvolvimento psicológico e nas questões internas de Hamlet sublinha a transição do pensamento medieval para a filosofia renascentista, onde o ser humano se torna o centro das preocupações. A obra é, portanto, uma reflexão profunda sobre a condição humana, a angústia existencial e a luta interna de um homem em busca de justiça em um mundo corrompido pela traição e pelo poder.
"O que é a morte senão um sono que nos liberta de todas as dores?"
Hamlet não é apenas uma tragédia sobre vingança; é também uma meditação sobre a vida, a morte e os dilemas morais que definem a experiência humana.




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